O amor simples e não simplista

O simples é aquilo que não é complicado. Desprovido de afetação; natural, modesto, espontâneo. Já o simplista é aquela pessoa que raciocina ou age com simplismo. (Dicionário online de Português).

Costumo sempre falar do “poder do simples”, um conceito que consiste em aprender a apreciar as pequenas delícias da vida. Não é nada fantasioso ou utópico, basicamente, é saber deliciar-se com tudo que é bom e leve, ou seja, aproveitar os pequenos prazeres da vida. Essa ideia veio a mim quando eu comecei a valorizar o que tenho, ao invés de frustrar-me pelo que não tenho. Por exemplo, chegar em casa, após um dia cansativo de trabalho, e conseguir ficar no sofá escutando uma música com meus gatos traduz o poder do simples. São os pequenos mimos que a vida nos oferece.

O meio social ensina que a exuberância, o luxo e o poder são sinônimos de felicidade. Aprendemos que ser poderosos eleva nossa autoestima. Ser sarado, bonito e ter muito dinheiro é garantia de uma vida repleta de sucesso. Se isso for uma verdade absoluta, então, gostaria que você me respondesse, por que tantas pessoas milionárias, poderosas, ricas ou exageradamente lindas adoecem ou vivem infelizes? Como anda o poder do simples na vida delas? Bem, cada caso é um caso, porém, quanto mais se projeta a felicidade onde não se tem, menos você reconhece tudo de bom que você tem. Posso garantir que viver buscando aprovação social pode ser muito doloroso.

Veja bem, não estou falando quanto ser ambicioso, querer conforto e ter folga financeira é ruim. Não seria simplista a esse ponto. Pelo contrário, eu adoro conforto. Além disso, toda motivação é subjetiva. Estou referindo-me à felicidade de reconhecer os pequenos prazeres que você tem ao seu alcance.

Quando era mais jovem, criei mil formas de projeções e tipologias de par perfeito. Com o tempo e a maturidade, percebi que uma agradável companhia, um papo delicioso, pés juntos embaixo do edredom e um cheiro de café da manhã, com pão quentinho, é imensamente incrível. Ver um filme com pipoca ou tomar uma taça de vinho com quem você gosta é mágico. Passear no parque num lindo dia pode ser recompensador. E você não vai deixar de ser feliz só porque não fez aquela imensa viagem da novela ou não tem aquela mansão do filme. Com tanta fantasia sendo vendida como felicidade, pergunto-me:

Como criamos essa busca em nossas relações de forma tão afastada do cotidiano e dos pequenos prazeres? Será que seremos supridos nessa busca inconsciente de um eterno final feliz? Onde criamos esse personagem que deve ser tão lindo, especial, sexualmente poderoso, inteligente, bem-sucedido, ético, honesto e por aí vai.

Enquanto não aprendermos que uma relação não é um conto de fadas, continuaremos buscando no outro um personagem que jamais vai existir.

Você pode dizer: Ninguém quer nada sério!

Concordo que estamos em um momento de muitas mudanças no jeito de relacionar-se. A desconstrução de conceitos sobre relacionamentos vem a cada dia atingindo nossos pré-conceitos. Tudo está mudando, mas tenho a certeza de que o poder do simples vai permanecer independentemente do tempo; porque ele é real.

Talvez, aprender a escolher as relações que sejam menos complicadas, espontâneas e autênticas pode ser o sinal de que estamos no caminho certo. Tem coisa mais gostosa de que um banho de mangueira com os filhos, receber um café da manhã na cama, ganhar um presente no dia dos namorados ou ler uma mensagem carinhosa pregada no espelho? O quão mágico isso pode ser!

Lembre-se sempre, nada disso é simplista. É só uma forma de pensar naquilo que lhe dá prazer e custa tão pouco, mas você só conseguirá enxergar se olhar a vida com menos holofotes. Talvez, uma relação mais simples possa fazer você mais feliz. Isso não tem a ver com o status de uma pessoa ou com sua inteligência, mas, sim, com alguém que saiba valorizar os bons momentos junto a você. Provavelmente, vocês aprenderão sobre outros valores e outras tantas formas de amar. O amor nos pequenos gestos, esse é o poder do simples.

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